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O lábio leporino tem tratamento! Informe-se

O lábio leporino tem tratamento! Informe-se

05/10/2016

O lábio leporino, como é popularmente conhecida a fenda ou fissura labiopalatina, decorre de uma má formação que ocorre no período inicial de desenvolvimento do embrião durante a gestação e que leva à ausência de fusão das estruturas faciais, causando deformidades no lábio, nariz, gengiva e palato (“céu da boca”).

As fissuras labiopalatinas podem ocorrer de forma isolada ou associadas a síndromes genéticas. Sua incidência no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de cerca de um em cada 650 nascidos vivos no país, sendo, assim, a deformidade congênita mais comum na face. O lábio leporino tem tratamento multidisciplinar.

Essa anomalia tem causa multifatorial, ou seja, fatores genéticos e ambientais estão envolvidos. Dentre os fatores de risco ambientais, destacam-se as deficiências nutricionais, uso de medicamentos, em especial os anticonvulsivantes, consumo de álcool e tabagismo durante a gestação.

As manifestações das fissuras são variadas, o acometimento vai desde uma cicatriz no lábio até a completa separação do lábio, da gengiva e de todo o palato, de forma bilateral.

Conforme a alteração apresentada, se propõe tratamento individualizado.

Lábio leporino tem tratamento e cuidados especiais

As fissuras labiopalatinas podem causar alterações funcionais que vão além da alteração da aparência. Os problemas vão desde desnutrição (pela dificuldade de alimentação), distúrbios respiratórios, alterações de fala (principalmente fala fanhosa), distúrbios auditivos (como infecções de ouvido e deficiência auditiva) e ainda alterações na dentição e no encaixe dos dentes (oclusão dentária). Frente a essa deformidade, surgem transtornos emocionais, ansiedade da família e dificuldades de convívio social.

Uma abordagem por especialistas, desde a fase do diagnóstico, muitas vezes na gestação, favorece a compreensão da deformidade e da possibilidade de completa reabilitação. Um tratamento conduzido por equipe multidisciplinar, com a participação das áreas de cirurgia plástica, pediatria, otorrinolaringologia, odontologia, fonoaudiologia, psicologia, genética, entre outras, é essencial para a reintegração do paciente com fissura labiopalatina à sociedade, evitando sequelas.

A cirurgia para correção da fenda labial é indicada nos primeiros meses de vida (entre o terceiro e o sexto mês), quando o bebê apresentar peso e condições de saúde adequadas. A deformidade do palato é operada entre 12 e 18 meses de idade, quando inicia-se o desenvolvimento da fala. As intervenções cirúrgicas dependem do desenvolvimento de cada paciente e da presença ou não de outras má formações, em especial cardíacas e neurológicas.

O tratamento das fissuras labiopalatinas é longo e os pacientes devem ter acompanhamento até a idade adulta. Cirurgias para preenchimento da falha na gengiva e rinoplastias para as deformidades nasais associadas são feitas com o crescimento da face, geralmente aos 10 e 18 anos, respectivamente.

O diagnóstico de uma deformidade craniofacial pode ser mais facilmente compreendido a partir de algumas recomendações sobre como receber e cuidar da criança com fissura labiopalatal:

  • a correção do lábio e do palato com fissuras pode seguir protocolos variados e individualizados. Os pais devem escolher um médico de sua confiança e seguir suas orientações;
  • o aleitamento materno deve ser incentivado. Com algumas adaptações, é possível promover uma boa alimentação ao bebê com fissura. Mamadeiras específicas também podem ser utilizadas, para garantir a nutrição e desenvolvimento adequados. A postura da criança deve ser sempre mais elevada durante as mamadas, a fim de prevenir infecções de ouvido;
  • o acompanhamento odontológico e ortodôntico é de extrema importância não só para prevenção de cáries mas para um bom alinhamento da arcada dentária;
  • a orientação de profissionais de diferentes áreas e o acompanhamento psicológico ajudam pais e filhos a enfrentar melhor os desafios relacionados à presença dessa alteração congênita.

Como diagnosticar a fissura labiopalatina

Apesar da maioria dos diagnósticos continuar ocorrendo após o parto, é possível identificar a presença da deformidade entre a 18ª e a 20ª semana de gestação, por meio da ultrassonografia. Se esse for o caso, é importante tranquilizar-se e buscar um médico especializado no tratamento do lábio leporino para obter todas as informações sobre as possibilidades de restauração e os cuidados pós-parto.